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A crônica de Carlos Herculano Lopes

Carlos Herculano Lopes é mineiro, e talvez por isso quase tenha passado despercebido na I Bienal do Livro de Curitiba. Na mesa-redonda que participou, sobre literatura no novo milênio, foi ofuscado pela elegância de Domingos Pellegrini e pela impetuosidade de Clarah Averbuck. Mas houve espaço para um debate paralelo sobre a crônica – que dificilmente é tema de discussões, mas sempre acaba surgindo durante a conversa.

Lopes escreveu em torno de 600 crônicas para o Estado de Minas, várias delas depois lançadas em coletâneas como “O Pescador de Latinhas”, “O Chapéu do Seu Aguiar”, e outras. O autor foi criado no jornalismo antigo, ainda na máquina de escrever. Acha fascinante as novas tecnologias, e se admira com as possibilidades que elas oferecem para o gênero da crônica: “A resposta do leitor é rápida. Pouco tempo depois do jornal sair, recebo emails comentando”.  E se já passar do meio-dia e ninguém tiver comentado, não precisa se iludir: ninguém irá comentar mesmo.

Para o jornalista, não é possível precisar do que o leitor irá gostar na crônica – normalmente, uma passagem que o próprio escritor não achava tão importante é o que chama mais a atenção do leitor e o motiva a comentar. E isso torna o gênero ainda mais atraente. Mas Lopes não pensa no leitor quando escreve, e também sente a dificuldade natural de quem precisa escrever respeitando uma periodicidade: a falta de assunto. “Mas em Minas, as crônicas com maior sucesso são as que falam de casos”. Uma vez encontrado o mote, Lopes escreve a sua crônica em 40 ou 50 minutos – o que, na verdade, é um tempo parecido com a duração do gênero nas páginas do jornal.


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