Tezza comenta sobre a crônica

Durante o último ano de faculdade, realizei uma pequena entrevista, via-email, com o escritor Cristóvão Tezza, que há pouco tempo havia assumido o “cargo” de cronista nas páginas da Gazeta do Povo. Eu estava fazendo a minha monografia sobre a presença de notícias e do jornal nas primeiras crônicas de Rubem Braga e devia fazer um estudo de caso que auxiliasse nas discussões. A entrevista era apenas uma parte do estudo, que se concentrou mais nas próprias crônicas e seus aspectos temáticos.

Como a minha cabeça estava totalmente tomada pela leitura de críticos literários e jornalísticos, talvez o objetivo de algumas perguntas não fique tão claro para quem lê. No entanto, elas já são capazes de revelar aspectos interessantes da relação que Tezza mantinha com o gênero da crônica em 2008.

O estudo de caso você encontra aqui e a entrevista segue abaixo.

Qual a rotina de produção das suas crônicas?

Cristóvão Tezza: Escrevo minhas crônicas no mesmo ritmo da publicação – uma vez por semana. Em geral tenho três ou quatro crônicas de reserva, de temas mais gerais ou literários, e vou escrevendo, sempre que posso, sobre temas do dia.

De onde costumam sair os temas de suas crônicas? O noticiário é uma boa fonte?

Minhas crônicas são mais literárias que jornalísticas, embora o jornalismo seja fonte indispensável. Preciso lembrar que sou um cronista novato – nunca escrevi crônicas antes. Assino minha coluna na Gazeta há apenas quatro meses. Fui saindo da literatura para a crônica – uma passagem que não é fácil.

Os temas “miúdos” do cotidiano, tratados de maneira leve, são os que mais se ajustam à crônica?

Cada cronista, uma sentença. Não há fórmulas nesse gênero. Sim, os temas do cotidiano, tratados com leveza, dão o tom da crônica clássica, digamos assim. Mas há grande margem de liberdade.

Os seus temas costumam ser únicos e bem definidos ou podem ser vários e sofrer variações durante a escrita?

O tema é sempre único – em poucas linhas, não há muita dispersão possível. Mas o texto é lapidado muitas vezes.

Você escreveria de maneira idêntica se o jornal fosse outro?

A crônica tem a ver com o jornal diário – qualquer que fosse ele, o texto seria o mesmo.

A crônica causa uma ruptura em meio às páginas do jornal? Isso a afastaria do jornalismo?

A crônica é uma espécie de “respiro” no jornal – o leitor de certa forma descansa do noticiário objetivo. Mas ela nunca se afasta muito do jornalismo.

Que reação você espera do seu leitor ao ler uma crônica sua em meio às notícias de um jornal?

Que haja empatia com o texto. Aliás, diferentemente da literatura, o leitor é, objetivamente, uma figura importantíssima na elaboração do texto. Você pensa nele de uma forma que não existe na literatura, pelo menos para mim.

O que aconteceria com suas crônicas se fossem reunidas em livro?

Nunca pensei nisso. Mas um livro de crônicas tem de ser fiel ao que promete: deve conter crônicas, tais como saíram no jornal.

Anúncios

0 Responses to “Tezza comenta sobre a crônica”



  1. Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




Pasquim no Twitter

Erro: o Twitter não respondeu. Por favor, aguarde alguns minutos e atualize esta página.


%d blogueiros gostam disto: