Jornalismo Cultural é tema de debate no Sesc/PR

Almir de Freitas e Daniel Piza discutiram as possibilidades que a área oferece

Habitualmente, os cadernos e revistas de cultura tentam ir além da informação factual. Nas palavras de Almir de Freitas, editor-sênior da Revista Bravo!, o espaço ideal do jornalismo cultural é justamente aquele que oscila entre o imediato e o que perdura – um equilíbrio que geralmente necessita de constantes adequações. O próprio discurso dos textos dessa área deve evitar o tom hermético, pois fatalmente afastará o público não-iniciado. Ao mesmo tempo, não pode se tornar excessivamente massificado. Freitas acredita que é preciso encontrar o campo de atuação exato, e saber dialogar com as exigências que surgirem. “É preciso negociar com o mercado sem abrir mão dos seus pressupostos”. O aprendizado dessa negociação tende a facilitar o trabalho na área – que, embora apreciada, não é das mais fáceis e rentáveis.

O jornalista Daniel Piza tem a mesma opinião. Entende que, apesar do pessimismo, existem manifestações no jornalismo cultural que continuam capazes de mostrar o seu vigor. Para ele, o caderno cultural é capaz de dar identidade ao jornal e criar vínculos afetivos com seu leitor – além de ter o mérito de fazê-lo pensar. Curiosamente, os cadernos culturais costumam ser os mais lidos dos grandes jornais, e os seus colunistas são os que conseguem o maior destaque. Ou seja: “Ainda é possível fazer isso e conseguir a adesão do leitor”. Mas existem alguns caminhos que permitem fazer isso com maior qualidade.

Piza acredita que a maioria das publicações culturais, atualmente, são mornas, com poucas críticas negativas e conflitos de idéias. Os livros recebem apenas resumos com alguns adjetivos e poucas ressalvas. E existe ainda a constante tentação de aderir ao mundo das celebridades. No meio de tantas manifestações culturais, a escolha do que deve ser analisado também representa um risco. “É uma exigência do ofício, mas o jornalista deve abrir mão das coisas que não acredita”, defende Freitas. O crítico não deve apenas endossar o que acha que fará sucesso, e nem achar que sabe exatamente o que o leitor quer ler. Para Piza, um dos princípios do jornalismo também serve para a área cultural: contestar a opinião vigente, os mitos dominantes.

O aumento do número de eventos discutindo jornalismo e literatura também é visto como algo positivo, ainda mais considerando que os cadernos culturais estão retomando a sua vocação – após alguns excessos nos anos 90. As interações entre jornalismo e literatura continuarão sendo discutidas até sexta-feira na 28ª Feira do Livro do Sesc/PR.

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