Houve uma vez em que uma grande empresa de cartões de crédito resolveu organizar uma antologia de crônicas de amor. Com esse objetivo, pediu que alguns dos mais célebres cronistas brasileiros escrevessem um texto especialmente para a coletânea. Entre os escolhidos estava Ignácio de Loyola Brandão. Feita a crônica, ela foi enviada à empresa e chegou às mãos do seu diretor – o homem responsável por avaliar se ela realmente tinha condições de fazer parte da antologia. Em um determinado momento, o diretor franziu a testa. Mas continuou a leitura até o final, quando então concluiu:
- Isso aqui não é uma crônica! Onde já se viu crônica com diálogo?
A crônica que não era crônica foi recusada e reenviada ao seu autor para que a consertasse. Embasbacado com o argumento do diretor, Ignácio de Loyola Brandão resolveu o problema da seguinte maneira: trocou os diálogos por frases entre aspas, e manteve o resto do texto inalterado. E então, realmente, seu texto se transformou numa crônica e pôde ser aceita pelo exigente e literato diretor. “Foi aí que descobri a diferença entre a crônica e o conto”, brinca Brandão.

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